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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ciclos de crescimento económico

Ciclos de crescimento económico

Os ciclos económicos são flutuações do produto, do rendimento e do emprego nacionais totais, com uma duração habitual de 2 a 10 anos, caracterizada pela expansão ou contracção generalizadas na maioria dos sectores da economia.
Samuelson & Nordhaus


Para Joseph Schumpeter a razão para as economias saírem do seu estado de equilíbrio é a inovação tecnológica, pois em resultado desta os recursos deverão ser afectos às novas actividades e desinvestidos das actividades ultrapassadas, num processo que denominou de destruição criadora.

A imagem seguinte - criada para os EUA - mostra que as tecnologias demoram cada vez menos tempo até serem objecto de consumo por uma larga percentagem das famílias.





Na imagem abaixo representam-se os ciclos de Kondratieff, estimados para os Estados Unidos (a azul) e a evolução do PIB (a vermelho).




Fonte da imagem: http://pt.scribd.com/doc/20345280/CICLOS-DE-KONDRATIEFF

Provavelmente a economia não apresenta a regularidade sugerida pelos teóricos dos ciclos económicos, mas a observação dos ciclos económicos é uma ferramenta fundamental da análise económica. Abaixo sintetiza-se a evolução da economia americana de 1920 a 2005.


 



Distinguem-se num ciclo económico:

- Recessão é um período contínuo de declínio do produto, do rendimento e emprego totais, normalmente perdurando 6 meses a 1 ano e caracterizado pelas contracções alargadas a muitos sectores da economia;

- Depressão ou Contracção é uma recessão importante, tanto na intensidade como na duração;

- Expansão é a fase ascendente da Baixa até ao Pico. Ocorre quando o crescimento ultrapassa a tendência;

- Recuperação ou Retoma ocorre igualmente na fase ascendente, mas o crescimento fica abaixo da tendência;

- Pico ou Boom, ponto máximo do ciclo, marca o final da expansão e o início da recessão;

- Baixa ou Trough, ponto mínimo do ciclo, marca o final da recessão e o início da expansão;

- Ciclo económico completo é o período entre dois pontos de viragem superiores ou inferiores (Boom ou Trough) consecutivos.




Algumas das características de habituais de uma recessão podem apontar-se aos seguintes níveis:

Consumo e produção
As compras dos consumidores reduzem-se acentuadamente, enquanto que as existências em armazém aumentam inesperadamente. As empresas reagem cortando a produção, e o PIB real cai. Pouco depois o investimento das empresas em edifícios fabris e equipamentos também se reduz acentuadamente.

Emprego
A procura de trabalhadores cai: redução de horários, seguida de dispensas temporárias e de maior desemprego.

Inflação
Com a redução do consumo a inflação abranda. É pouco provável a redução de salários e do preço dos serviços mas tendem a aumentar menos rapidamente nos períodos de retracção económica.

Lucros
Os lucros das empresas reduzem-se acentuadamente. Numa antecipação, as cotações das acções normalmente entram em queda quando os investidores sentem o cheiro de uma retracção económica. Contudo, devido à redução da procura de crédito, as taxas de juro geralmente também diminuem durante as recessões.


As expansões são as imagens simétricas das recessões, em que cada um dos factores acima descritos funciona no sentido inverso.

Com imaginação é possível uns ciclos dentro de outros, mas ficaremos apenas com as suas designações e durações aproximadas.



Utilizando dados do Gapminder - GDP/capita (US$, inflation-adjusted) -, o Gráfico abaixo ilustra bem que o PIB per capita português, embora vá crescendo, vai permitindo que muitos dos seus parceiros comunitários se distanciem cada vez mais:



Continuando a utilizar os mesmos dados, abaixo se evidencia o comportamento da economia portuguesa a longo prazo, utilizando uma recta de tendência.



A recta de tendência do Excel mostra-nos uma recta de regressão do tipo y = a + bx
Utilizando essa recta de regressão podemos calcular os valores estimados do PIB per capita.
Calculando a diferença percentual entre os valores observados e os estimados poderemos concluir se os ciclos das economias se apresentam sincronizadas, como no exemplo entre Portugal e Espanha...





... ou dessincronizadas, como no exemplo entre a Alemanha e o Reino Unido:




Estes resultados podem ser conferidos no estudo de Alexandra Ferreira Lopes.

1. Descreve a as características habituais da fase de expansão do ciclo económico, nos seguinte aspectos:
alguns acontecimentos da história económica. Backup



a) Consumo e produção: as compras dos consumidores reduzem-se acentuadamente, enquanto que as existências em armazém aumentam inesperadamente. As empresas reagem cortando a produção, e o PIB real cai. Pouco depois o investimento das empresas em edifícios fabris e equipamentos também se reduz acentuadamente;

b) Emprego: a procura de trabalhadores cai: redução de horários, seguida de dispensas temporárias e de maior desemprego;

c) Inflação: com a redução do consumo a inflação abranda. É pouco provável a redução de salários e do preço dos serviços mas tendem a aumentar menos rapidamente nos períodos de retracção económica;

d) Lucros: os lucros das empresas reduzem-se acentuadamente. Numa antecipação, as cotações das acções normalmente entram em queda quando os investidores sentem o cheiro de uma retracção económica. Contudo, devido à redução da procura de crédito, as taxas de juro geralmente também diminuem durante as recessões.



2. Identifica a designação e duração dos ciclo económicos mais comummente referidos.











3. Representa num gráfico a evolução do PIB per capita português e assinale no mesmo

4. Escreve cerca de 50 palavras sobre a história de uma tecnologia à tua escolha.

5. Confere a sincronização cíclica entre Portugal e Espanha.

6. Confere a dessincronização entre a Alemanha e o Reino Unido.

7. Investiga a sincronização entre as seguintes economias:

a) EUA / Japão; e
b) EUA / Alemanha.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A heterogeneidade de situações de desenvolvimento

A heterogeneidade de situações de desenvolvimento

Os últimos 200 anos mudaram o Mundo. Em 1803 o Reino Unido era o país com maior rendimento per capita – 2.744 dólares - e nenhum outro tinha esperança de vida superior a 40 anos.
A industrialização teve um maior impacto nos países europeus e nos Estados Unidos, que cresceram mais rapidamente e ficaram cada vez mais ricos.

Após o final da II GGM o crescimento é mais acelerado, destacando-se a recuperação Japão, seguido pouco mais tarde pela China e pela Índia.

Hoje todos os países têm esperança de vida acima dos 45 anos, ultrapassando os 80 em alguns. Como este é um número médio, uma esperança de vida baixa significa uma mortalidade infantil elevada nos países menos desenvolvidos.
E a diferença entre o rendimento per capita dos países mais pobres relativamente aos mais ricos é enorme... Actualmente o rendimento per capita no Qatar é 223 vezes superior ao registado na República Democrática do Congo, havendo uma grande diversidade de situações intermédias.

Ver este Gráfico no Gapmind
Ver apresentação dos últimos 200 anos por Hans Rosling


Portugal é geralmente apresentado como um um país em desenvolvimento, porque os seus indicadores económicos se encontram acima dos valores observados nos países do Sul, mas ainda estamos muito afastados dos países do Norte.

Vamos estudar esta diversidade de situações, tirando partido da organização da turma em sete grupos/blogues, cuja imagem conjunta, no final evidenciará a heterogeneidade de situações de desenvolvimento verificadas nos países desenvolvidos (DC - Developed Countries), países em (vias de) desenvolvimento (PED/PVD) e nos países menos desenvolvidos (LDC - Least Developed Countries).
Cada grupo de alunos/blogue, irá comparar um conjunto diferente de 8 países contrastantes, 4 países desenvolvidos e 4 países incluídos noutra categoria:


Andreia e Elisabete
Países Desenvolvidos (Suíça, Alemanha, Suécia e Austrália)
Países Exportadores de Petróleo (Arábia Saudita, Irão, Emiratos Árabes Unidos e Kuwait) - PEP


Serão utilizados preferencialmente nesta tarefa os dois primeiros recursos:
- Google Public Data Explorer;
- Gapminder;
- Recomenda-se que visite os Indicadores Online caso sinta necessidade de recursos adicionais.
- Recomenda-se o texto Crescimento Económico e Desenvolvimento bem como o Sumário do último Relatório do PNUD para ter maior inspiração nos comentários.


Tarefa: Comparar os países indicados...

1. ...construindo no mínimo 3 Gráficos com o Google Public Data Explorer, tendo o cuidado de seleccionar indicadores económicos, demográficos e sócio-culturais. Cada gráfico deverá ser incorporado no blogue e acompanhado de um comentário breve.



No gráfico podemos verificar que a Arábia Saudita e o Irão são os dois países com menor rendimento per capita. Já os Emiratos Árabes Unidos e o Kuwait são os países que têm maior rendimento, conseguindo o Kuwait chegar aos $60 000.



O gráfico representado acima é referente à Taxa de mortalidade com menos de 5 anos desde 1960 a 2010. Todos os países aí referidos: Irão, Arábia Saudita, Kuwait, Emiratos Árabes Unidos, Austrália, Suíça, Alemanha e Suécia baixaram a taxa de mortalidade brutalmente. Exemplo do Irão que em 1960 a taxa era à volta de 250 e em 2010 desceu para 50.



Este gráfico representa o consumo de electricidade per capita entre 1960 e 2008. Kuwait é o país que representa maior consumo de electricidade em 2008. O Irão é o país que apresenta menor consumo de electricidade.


2. ... criando no mínimo mais 3 Gráficos com o Gapminder World. Indicar no blogue o respectivo link e realizar um comentário breve a cada gráfico.

www.bit.ly/yMHY9n  -  No gráfico as variáveis estão co-relacionadas positivamente pois quando o rendimento aumenta a esperança de vida também aumenta.

www.bit.ly/zlsE5B - No gráfico, quando o PIB per capita aumenta o acesso ao Saniamento também aumentam, ou seja, estão relacionadas.

www.bit.ly/yHJic0 - O gráfico mostra que nos países desenvolvidos, a populção tem mais estudos que nos países sub-desenvolvidos.


3. ... utilizando a funcionalidade DATA do Gapminder, importar ficheiros do Excel para produzir neste software, no mínimo 3 outros Gráficos. Gravar as imagens no Paint. Produzir um comentário breve a cada gráfico.



O gráfico presente refere-se quanto ao consumo de alcóol por adultos, em litros, no ano de 2005. Nestes oito países, vimos que Iran, Kuwait, Saudi Arabia e United Arab Emirates são os países que menor taxa de consumo de alcóol têm. Enquanto que os outros quatro países representados apresentam um consumo elevado de alcóol. Germany é o país com maior consumo de alcóol apresentando 12,8 valores.



O gráfico refere-se ao consumo de água agrícola em % do consumo de água total, em (%), no ano de 2007. Nestes oito países, vimos que Germany, Sweden e Switzeland são os países que menor taxa de consumo de água agrícola em % do consumo de água total têm. Enquanto que os outros cinco países representados apresentam um consumo elevado, sendo a percentagem máxima de 90.


4. ... mencionando para os dois grupos de países a evolução do IDH assinalada no Trends  http://hdr.undp.org/en/data/trends/

5. ... tendo em consideração o conjunto dos dados reunidos nos pontos anteriores, e os comentários parcelares. Sintetize num comentário global as conclusões a que chegou. Enriqueça o seu comentário referindo características dos países que trabalhou (utilizando os links neste post e/ou pesquisa).

NOTAS: (1) Pelo menos um os gráficos deverá conter dados relacionados com a SIDA (fiz no blogue pessoal: A SIDA em Portugal tem significado?); (2) Como esta tarefa tem muitos gráficos aconselha-se a resposta em várias mensagens que poderão ter um número diferente no fim do título e a mesma etiqueta, vg. "heterogeneidade". Clicando na etiqueta reunirá a resposta completa ao post.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Gráfico da Dívida na Eurozona: Quem deve a quem?

O círculo mostra a dívida externa bruta, ou ao estrangeiro, de alguns dos principais intervenientes na Zona do Euro, bem como outras economias do Mundo Global. As setas mostram quanto dinheiro é devido por cada país aos bancos de outras nações. A dimensão das setas do devedor para o credor é proporcional ao dinheiro devido a partir do final de Junho de 2011. As cores atribuídas aos países são um guia para a quantidade de problemas no seio de cada economia.

A Europa está lutando para encontrar uma saída para a crise da Zona do Euro entre enormes dívidas, paragens do crescimento e o nervosismo generalizado dos mercados. Depois da Grécia, Irlanda e Portugal, a Itália será o próximo país forçado a procurar um bail-out.

Mas, com sistemas financeiros globais tão interligados, este não é apenas um problema da Zona do Euro e as repercussões estendem-se além das suas fronteiras.

Embora os empréstimos entre as nações apresentem poucos problema durante os anos de boom, quando um país não consegue solver as suas dívidas, os bancos estrangeiros e instituições financeiras que emprestaram dinheiro ficam expostos a perdas. Isso não só poderia desestabilizar o país de origem dos bancos, mas poderia, por sua vez, espalhar problemas por todo o mundo.

Assim, no emaranhado de empréstimos inter-país, que deve a quem?
clique num país no círculo para descobrir o que devem aos bancos em outros países, bem como para descobrir a sua dívida externa total, o seu PIB, a dívida externa por pessoa, a dívida externa em percentagem do PIB e a dívida pública em percentagem do PIB.

1. Constrói uma tabela no Excel com os dados acima,
partindo deste ficheiro.





2. Comparando o valor com PIB indicado para Portugal com o disponível no PORDATA, conclui quanto valem os triliões referidos neste exercício. Isto é, foi adoptada a norma americana ou a norma europeia. Justifica.

Comparando o valor com PIB indicado para Portugal verificámos no  PORDATA, que os triliões em norma Americana tem 12 zeros, seguindo a fórmula 3(N+1) = 12 zeros => 1 trilião 1.000.000.000.000. Na norma Europeia tem 18 zeros


3. Comenta os dados verificando a possibilidade de algum preconceito contra os países latinos.

Os países latinos presentes nos gráfico são Espanha, Portugal, Itália e Grécia. Existe algum preconceito contra estes países, verificando com os gráficos anteriores todos estes países têm dividas mas ninguem deve aos mesmos.


4. Apresenta uma noção de interdependência.

Interdependência económica é uma consequência da especialização, ou a divisão do trabalho, e é quase universal. Cournot escreveu:
Mas na realidade, o sistema económico é um todo do qual as partes estão conectadas e reagem umas sobre as outras. Um aumento na renda dos produtores de uma mercadoria irá afectar a demanda por comodidades B, C, etc, e os rendimentos dos seus produtores, e, por sua reacção muda a demanda por comodidades A.
Interdependência não é rígida, porque as empresas, indivíduos e nações podem mudar a partir da produção de um conjunto de produtos para o de outro. Ele descreve os países/estados-nação e/ou estados supranacionais, como a União Europeia (UE) ou o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), que são especializados por causa do clima, a disponibilidade de capital e trabalho, e uma variedade de histórico e factores culturais. Essas nações ou grupos podem ser dependentes um do outro para qualquer (ou todas) das seguintes características:
  • Alimento
  • Energia
  • Minerais
  • Produtos manufacturados
  • Multinacionais/corporações transnacionais
  • Instituições financeiras
  • Dívida externa